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Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

Braços amigos

Foto retirada de o-voluntariado.html" target=_top>apfp.blogspot.com/2004/12/o-voluntariado.html

 

Isabella e Pilar conheciam muito bem o trabalho de várias instituições que promoviam voluntariado no local onde trabalhavam. Por vezes, era dedicação dos seus voluntários que tornavam os seus serviços mais humanos, alegres e conferiam um sorriso quando as coisas corriam menos bem, quando a dor era maior que a alegria, quando a morte teimava em entrar pela porta ou pela janela do serviço. Sabiam que a vida de muitos estava por um fio, que se vivia um dia de cada vez como se fosse o último, sem passado nem futuro, apenas o presente ...

Pilar nunca mais esquecerá uma senhora já de idade que estava saturada de estar em casa sem nada fazer e decidiu ainda estar a tempo de ajudar o próximo. Todos os dias às sete da manhã, lá estava ela a distribuir leite com café, chá e bolachas aos que aguardavam por uma consulta, a dar um sorriso, um carinho, uma palavra amiga a quem necessitava. A "avozinha" como a tratava carinhosamente trazia-lhe sempre  uns bolinhos de canela que só ela sabia fazer. Quando uma manhã não apareceu soube que algo tinha acontecido menos bom ... naquela noite um Anjo tinha-a levado para junto dele.

Esses braços amigos que iam passando pelo serviço, braços jovens, braços mais experientes ou braços que tinham passado pela doença e dado a volta à vida, faziam do seu serviço uma casa de família, um pequeno lar branco em que a amizade, o carinho e a ternura tornavam a dor mais doce ...

Precisamos sempre de um braço amigo, na alegria e na dor, não é verdade?

 

publicado por Ennoea às 17:34
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Sábado, 28 de Junho de 2008

O fantasma da guerra ...

Hard live...

(Retirada de nat)

 

 

Pilar sabia do que José António falava ... a guerra, as ameaças, os bombardeamentos, a fome, os refugiados, as crianças com fome, sede, traumatizadas, orfãos .... nunca mais esquecera aquele ano que tinha trabalho naquela Organização Não Governamental como voluntária. Viu muita pobreza, doença, fome, o ponto a que o homem chega para conseguir o poder, a riqueza ... não importa destruir cidades, matar milhares de seres humanos, crianças ficarem mutiladas ... o que importa isso? Interessa é defender uma ideologia, ter a ânsia do poder ... os outros seres humanos são apenas números ...

Estas atitudes dos líderes, dos homens do poder enojavam Pilar. Os alimentos que conseguiam eram sempre poucos, os medicamentos eram uma raridade, ela tinha visto como o instinto de sobrevivência era capaz de transformar os homens em animais quando distribuiam a alimentação ... uma criança tinha morrido nos seus braços ... jamais se esquecerá dela e por mais anos que vivesse essa recordação estaria sempre presente ...

Felizmente, Isabella tinha ficado na capital na sede da Organização, não tinha ido para o campo de refugiados ... quantas vezes Pilar pensava que a sua debilidade emocional após o desaparecido de Gabriel poder-se-ia ter agravado com estas vivências, apesar deste voluntariado ter sido opção de Isabella para fugir , Pilar tinha prometido à mãe da sua amiga acompanhá-la e assim o fez ...

Mas o fantasma da guerra acompanhava-a e quantas noites passava acordada a pensar naquela menina que tinha morrido nos seus braços porque não havia um antibiótico ...

O mundo é mesmo cruel ...

 

publicado por Ennoea às 23:07
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